O dossier ainda não foi arquivado. Diferentes cabeças ditam diferentes sentenças. Ninguém ficou indiferente ao último grande acontecimento da Liga Jamaicana – João Alves, actual treinador do Metalist Kharkiv, foi desmascarado – ele era também o número um por detrás do FC VilmaCristina IFK.
A redacção d’O Pasquim, sendo o jornal que é, obviamente esfregou as mãos de contentamento quando o escândalo rebentou e entre informações procuradas e informações recebidas conseguiu mais ou menos inteirar-se da situação. O que se passou e o que não se passou.
Desde logo, gostaríamos de agradecer ao Administrador da Liga (a quem oficialmente congratulamos pela excelente prestação no desvendamento do Caso) e a João Alves, que foram ambos muito solícitos, prestando todas as informações requeridas para a nossa investigação jornalística.
A bandeira de Alves
“! – I don´t know what happened... I will ask my ppl and get back to u asap Pedro Rainha”. Aparentemente foi esta a mensagem que despolotou a artilharia pesada e toda a telenovela. No passado dia 18 de Fevereiro, entrava na vida do Xpert Eleven o famoso Pedro Rainha, para espanto de todos os outros treinadores.
O que era de espantar mais no facto era o silêncio e o mistério que tinham precedido a surpreendente revelação. Porque não se teria o famoso Pedro Raínha identificado antes? E porquê naquele momento, tão desnecessário? Embora essas perguntas tenham pairado no ar que existe dentro de muitas cabeças, outras mais inquisitivas torceram o sobrolho e decidiram ir mais ao fundo da questão.
Alegadamente, houve um encontro no Quarto Verde entre três membros da Liga Jamaicana, onde se trocaram informações relativamente ao sucedido. O administrador, no púlpito, avançou com os dados. Entre outros, a proximidade das horas de log in de um e outro treinadores (muito suspeito, realmente) abriu as portas para a luz que vinha lá de fora, do céu da verdade.
Mas mais – também se estranhou o facto de ambas as equipas terem adoptado a famosa táctica 4-5-1 ao mesmo tempo (aquela que resultou tão bem na vitória sensacional do Vilma sobre o Thaksin United na Taça Jahman, lembram-se?). As parecenças na linguagem dos posts e algumas nuances no perfil dos utilizadores foram as próximas pistas que aproximaram os detectives da solução do mistério.
O golpe fatal foi dado a seguir a este encontro. O Administrador, ajuizado, manda uma mensagem privada ao treinador do Vilma: “Elo Karkov :)”. Ao que João Alves, no seu belo e inconfundível estilo, replica: “our little secret...”.
Transparência em causa?
Dirigimo-nos ao Departamento de Esclarecimento da Administração (Arroios, 5º andar), onde fomos encontrar o Administrador a meditar e ele amavelmente se prestou às nossas dúvidas. “O caso Vilma foi realmente uma surpresa e neste caso em específico valeu um pouco de intuição após as suspeitas nos seus últimos comunicados e a confirmação por parte de outros dados”, disse José Nuno.
“Realmente fomos semi-apanhados de surpresa e como medida de prevenção a direcção tentará recolher mais dados e informação dos futuros treinadores, e ponderamos também penalizações mais árduas em caso de repetição. No entanto, as sanções em principio serão discutidas no final da época, em mais um referendum”.
O trabalho da Administração foi realmente bom, mas fica a pergunta: Será que a nossa privacidade está em causa? “Os serviços secretos são diminutos apesar de gostarem de aparentar serem mais eficazes e grandiosos do que realmente são, e não têm nenhum interesse em informações pessoais”, garante José Nuno, que mais uma vez afirmou o empenho de toda a sua equipa em servir os interesses de todos os treinadores e de trabalhar em conjunto com todas as entidades para a evolução da Liga.
Oportunidade de defesa
Recordemos que uma das primeiras medidas tomadas pela Administração foi dar a escolher a Alves uma das equipas apenas, para o futuro. Isto no dia em que se jogava a semi-final da taça, e ainda era teoricamente possível as duas equipas encontrarem-se na final.
João Alves escolheu o FC Sol (agora Metalist Kharkiv) mas no final do dia nenhuma das equipas chegou à final, para seu desagrado. O estado de graça gasificava-se rapidamente e a cruel realidade insistia em afirmar-se. “Fico orgulhoso, mas desiludido com os péssimos resultados nas 1/2s finais!”, mencionou o treinador.
Quanto à decisão da Administração, foi peremptório: “In the end of the day, não houve julgamento, apenas linchamento público!”, diz o ex-treinador do Vilma. Alegadamente, o caso não terá sido tratado com a seriedade que merecia. “Estamos perante um lamaçal legal... vejamos: A administração afirma que Vilma e FC Sol são um só... mas não são. Isso seria o mesmo que afirmar que o Sport Lisboa e Benfica e o Sporting Clube de Portugal são um só, mesmo que o dono fosse (porque não?) o mesmo!”, defende Alves.
Para o jovem treinador português, as regras em que o Administrador baseou a sua decisão não são automaticamente aplicáveis às ligas privadas do XpertEleven e sustenta que o nascimento desta equipa obedeceu a todos os trâmites legais. E revelou mais: “O Vilma era a minha forma «doce» de prestar homenagem a uma pessoa... podia ter sido outra pessoa, mas eu queria que fosse ela”.
Percebe-se que Alves queria duas equipas basicamente para ter “double the fun” mas a verdade é que é muito dubitável a possibilidade de garantir a transparência no caso em que as duas equipas se encontrassem na mesma divisão. Por acaso, não aconteceu.
Podemos pensar no caso do Futebol Clube do Porto e da sua equipa B. O Porto B, onde o tri-campeão português rodava os jogadores, não podia participar em nenhuma competição em que estivesse envolvida a equipa mãe. Assim, não poderia nunca ascender à mesma divisão desta nem participar na Taça de Portugal. O conflito interno de interesses colocaria em cheque a verdade desportiva.
Neste caso, talvez se possa aceitar que Alves acabe a época com o Vilma, para não criar mais um robot, porque à primeira vista não há benefício nenhum que uma equipa possa fazer à outra, até lá. Estão em diferentes divisões e não é possível efectuar transferências de jogadores ou de fundos entre as equipas.
Se pensarmos mais um pouco, porém, podemos concluir que pode existir mesmo um benefício – a possibilidade de utilizar os polémicos dirty tricks contra adversários directos da outra equipa. Talvez tenha sido esta a razão porque José Nuno decidiu voltar atrás num suposto pacto que havia entre Administração e o Sr. Alves, de acordo com este último: “Conversámos em pessoa (..) e ficou combinado que tinha de saltar at the end of the season da Vilma, especialmente se subisse de divisão... concordei, naturalmente. Qual não foi o meu espanto, quando, a poucas horas da meia final, a direcção decidiu desbocar-se, ao estilo de assassinato político e desportivo... o balneário ficou à nora.”
O futuro
João Alves ressalva que não guarda ressentimentos nenhuns – afinal sempre se trata de um mero jogo – mas ficou “advertido para a vida real” e lança o repto: “Peço á administração da Jamaica que clarifique os estatutos: é melhor Robots or 2-face jacks???”.
Dv08, treinador do mítico Mandala, ofereceu a sua nobre visão sobre os recentes acontecimentos: “Há muito que o FC Mandala falava sobre a existência de robots, e sobre a sua «vida» na liga. Este acontecimento prova que por detrás de um robot pode estar muito coisa. A Administração esteve à altura (ja enviámos a palmadinha nas costas do costume) mas espero que os restantes colegas e equipas não convertam Inpain (Alves) num bode espiatório das suas frustrações desportivas de cariz próprio.”
Paulo Abecasis, colega de divisão do VilmaCristina, considera que o escandâlo não afectou directamente a sua equipa mas lamenta que estas coisas aconteçam.
João Alves vai ter um trabalho difícil para dissociar a sua imagem das atitudes menos transparentes que praticou. De qualquer maneira, a ocasião é propícia para recordar uma das suas afirmações, num dos seus últimos posts enquanto treinador do Vilma: “Let the conscience do its job”.
Saturday, February 28, 2009
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